O Governo da República do PSD e do CDS, mais uma vez, decidiu pela calada e refugiou-se na revisão das obrigações de serviço público para impor mais restrições ao direito à mobilidade dos açorianos, com a passividade e submissão do Governo Regional do PSD, CDS e PPM.
Já tinha sido assim com o teto máximo fixado nos 600€, que tem obrigado muitos açorianos a pagar mais do que os 119€, por o valor das viagens ultrapassar esse montante, nomeadamente nas rotas em que o espaço aéreo já se encontrava liberalizado.
A Direção Regional do PCP Açores (DORAA), reunida no dia 7 de março em Ponta Delgada, assinala que, tanto no País como na Região, desde o início do ano, ficou cada vez mais notória a situação de grave desequilíbrio social. Os problemas persistem, e as velhas receitas e políticas não conseguem pôr cobro ao aumento brutal do custo de vida, em todos os setores e em particular na habitação.
A notícia recentemente divulgada por diversos órgãos de comunicação social vem confirmar as preocupações que o PCP Açores tem vindo a expressar desde 2022, aquando do anúncio do “apoio” da União Europeia à SATA, condicionado à sua “reestruturação”.
Torna-se agora mais evidente a razão da falta de transparência que marcou todo este processo por parte do Governo Regional. À medida que se conhecem novos contornos da privatização da companhia, confirma-se o propósito de uma reestruturação orientada para servir interesses privados, colocando em causa não só os postos de trabalho, mas também o direito à mobilidade dos açorianos.
A recente entrevista concedida pelo administrador da SATA Holding a vários meios de comunicação social veio confirmar as preocupações que desde há muito o PCP Açores tem vindo a manifestar. Ficou agora demonstrado que a privatização da SATA coloca em causa a sua missão e a sua própria razão de ser, num processo opaco como poucos outros.
A realidade tem vindo a demonstrar, que tínhamos razão. As políticas adotadas a nível regional, acompanhadas pelo Governo da República e negociadas com a União Europeia, servem os interesses privados e condicionam o direito à mobilidade dos açorianos. Caso a privatização não seja travada, os efeitos serão desastrosos, tanto a nível social como económico.
A SATA é mais do que uma empresa: é um instrumento estratégico de coesão territorial e social, essencial para assegurar a mobilidade de pessoas e bens no arquipélago e entre os Açores, o continente e a diáspora.
O PCP apresentou, na Assembleia da República, um projeto de lei que acaba com o atual sistema de reembolsos das passagens aéreas, substituindo-o pelo que sempre deveria ter acontecido: cada passageiro pagar, apenas, o valor final no momento da compra da passagem. A propaganda do Governo Regional, do PSD e do CDS termina quando lhes é conveniente: longe das câmaras de televisão, o Governo Regional opôs-se a esta medida de elementar justiça. Verifica-se assim a sua falta de vontade política – optam por burocratizar, em vez de simplificar!
Está em discussão o projeto de lei nº 95/XVII-1ª sobre o direito à mobilidade dos residentes nas Regiões Autónomas, apresentado na Assembleia da República pelo grupo Parlamentar do PCP em articulação com as Organizações do PCP das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, que pretende o fim do atual sistema de reembolsos, e o pagamento pelo passageiro de apenas 119€ no momento da compra da passagem. Trata-se de uma medida de elementar justiça: pagarmos, apenas, aquilo que é da nossa responsabilidade suportar. Inclusive, o peso financeiro a desembolsar é em muitos casos um fator impeditivo da deslocação.