E depois de todo o folclore, que vai prosseguir aliás, à volta de uma diferença de 500 milhões a esgrimir entre os dois apoiantes deste execrando orçamento, eis a soma das vontades em viabilizá-lo a valer mais que tudo, debaixo de uma espessa tempestade de areia atirada para os olhos de cada um, a que poderíamos dar o nome de código: O ORÇAMENTO É MAU MAS TEM DE PASSAR, PORQUE O PAÍS NÃO PODE VIVER SEM ORÇAMENTO.


Não há dúvidas que em demagogia e manipulação da opinião pública José Sócrates e o seu Ministro das Finanças são mestres, por outro lado o PS Açores depois do número circense à volta da Revisão Constitucional continua insistentemente na mistificação do espaço público regional em defesa da indefensável proposta de Orçamento do Estado (OG).
O rotativismo do poder político nacional tem motivado, desde 1976, uma alternância entre o PS e o PSD. Essa alternância tem impacto nos titulares, no pessoal de apoio, nos beneficiários de certas benesses, na definição de preferências no investimento (conforme a distribuição dos votos), na formação e acção das clientelas, mas não tem impacto significativo nas linhas de política que se aplicam, nem nos objectivos que se querem atingir. Por outras palavras, poderia dizer que sempre que um desses partidos substitui o outro no poder, “mudam as moscas mas a… política… é a mesma”!
A proposta do PCP Açores para que o Parlamento Regional se pronunciasse sobre as medidas de austeridade anunciadas pelo Primeiro-Ministro foi hoej rejeitada com os votos contra do PS e a abstenção do PSD e CDS-PP. Para o PCP o efeito destas medidas nos Açores será ainda mais destruidor. O Deputado do PCP, Aníbal Pires, na sua intervenção salientou a demagogia do PS e do PSD que, lamentam na Região o que aprovam na República, impondo ainda mais sacrifícios ao Povo Açoriano.