AS SONDAGENS - Um eleitor, abordado telefonicamente (se não tiver telefone fixo não é eleitor, já se sabe), pode fazer uso do segredo de voto, mas esse direito não lhe assiste. As sondagens apenas se referem a este eleitor como um daqueles que não responde, e de seguida, por extrapolação…votam por ele (geralmente num do partidos que recebem mais declarações de voto). Veja-se como: Em 100 telefonemas, se a sondagem registar 18 a dizer que votam PS, e 50 a dizer que não respondem ou não sabem, logo temos a maioria dos editores de informação a proclamar que o PS tem 36% das intenções de voto. Se, por acaso 18 outros telefonemas significarem declarações de voto no PSD, logo temos a maioria dos editores de informação a proclamar que existe um empate técnico, a 36%, entre dois partidos. Assim se nega o direito ao voto secreto e se desmobiliza, de forma acientífica e ilegítima, a possibilidade (real) de uma vitória eleitoral de outro partido qualquer, suportada nos 50% de inquiridos que, segundo as sondagens, não respondem ou não sabem…Não estou a inventar, estou simplesmente a relatar a forma como foi efectuada a comunicação pública dos dados da sondagem da RTP/Universidade Católica desta última 3ª feira… Já agora aproveito para dizer que a esmagadora maioria das anteriores sondagens, apresentam igualmente 50% (ou mais) de inquiridos que não respondem ou não sabem...