Opinião

Mário AbrantesArtigo de opinião de Mário Abrantes:

Bem podem barafustar e teimar em querer continuar de qualquer maneira e por qualquer via a governar, aqueles que estiveram no poder político em Portugal nos últimos 4 anos. A verdade é que, não obstante o PSD ter sido o partido mais votado nas eleições legislativas de 4 de Outubro (embora com uma das votações mais baixas de sempre), os resultados eleitorais, de acordo com a lei vigente, refletiram a vontade de uma grande maioria de portugueses em rejeitar expressamente as políticas seguidas pela coligação de Passos Coelho/Paulo Portas atribuindo uma maioria absoluta de deputados aos partidos que expressamente rejeitaram tal governo e tais políticas. Uma grande maioria de portugueses disse Não à continuidade de um governo PSD/CDS!
Em primeiro lugar portanto, são razões democráticas legítimas aquelas que determinam e permitem a formação dum novo governo em Portugal que não sendo da PáF, como aquele que o Presidente da República apressada, ostensiva e cegamente empossou (e fico-me apenas por aqui), tenha antes por base uma maioria de suporte parlamentar duradoura e que se oponha às políticas prosseguidas pela coligação durante os 4 anos em que apenas devido à proteção presidencial se conseguiu aguentar no poder.

Artigo de opinião de Paulo Santos:

O PS regional não é adepto de entendimentos com forças de esquerda. Tem sido esse o sentido das declarações de Vasco Cordeiro. Não admira. Com efeito, por estranho que pareça, a política do executivo regional na última década encontra pontos de contacto com a que tem seguido a coligação de direita no país.

Num caso e noutro, à devida escala, foi clara a opção pela concentração/centralização de serviços e sinergias produtivas, com beneficio para um grupo restrito de pessoas e/ou empresas; num caso e noutro, revelou-se líquida a aposta nos estágios profissionais e programas ocupacionais em detrimento da criação de emprego estrutural, com subsequente precarização das relações laborais e agravamento da situação social. A mesma política, cá e lá, gerou o mesmo tipo de beneficiários, a saber, os grandes grupos monopolistas e os empresários do “regime”; e produziu danos, lá e cá, nas mesmas camadas sociais, ou seja, nos trabalhadores e na classe média.

PauloSantos_webArtigo de opinião de Paulo Santos:
Para o Presidente, votos e parlamento pouco interessam. Governará quem for pela Europa, o que quer que isso seja. Nesse caso, abordemos os traços estruturantes da “eurolândia” a ver se “colam” com aquilo a que chamamos democracia. Começando pelo Parlamento Europeu, percebe-se que está longe de qualquer ideal democrático.
A vinculação ao poder de iniciativa político-legislativa da comissão, com correspondente supressão de competências originárias próprias nega a natureza representativa que lhe querem atribuir; à imagem da Assembleia Nacional do Dr. Salazar que só legislava sob proposta do Conselho de Ministros. Politicamente, a inexistência é total, como se viu no “caso grego”, em que nem se ouviu falar nele. Para disfarçar, aprova doses industriais de recomendações, pareceres sobre as mais variadas irrelevâncias.

MAbrantes2Com desenlace à vista, a agitação em torno da procura de solução governativa para o país gerou duas ondas politicamente opostas.

Por um lado, por via da reabertura do diálogo politico/institucional à esquerda do PSD, assistiu-se ao despertar da adormecida riqueza da democracia e de todo um horizonte de possibilidades constitucionais cujas portas nos últimos anos têm vindo a ser sistematicamente trancadas pelos poderes instalados para dar passagem exclusiva ao "não há alternativa ao austeritarismo", aos partidos do "arco da governabilidade" ou à alternância no poder entre os agentes do "bloco central de interesses" para a execução de políticas de submissão a uma subliminar ditadura do capital financeiro.

Tornou-se clara a possibilidade de um entendimento do PS com os partidos rotulados de marginais à governação (CDU e BE), face aos resultados eleitorais e ao quadro constitucional vigente, entendimento esse que irá justamente para além duma simples votação conjuntural a partir das bancadas da oposição, para passar a focar-se na governação do país.

Tornou-se claro também, face à nítida maioria de eleitores que condenaram a orientação do governo de coligação (pós-eleitoral) PSD/CDS, que os 4 anos de políticas de transferência forçada de riqueza do trabalho para o capital e do consequente empobrecimento geral da população não teriam de ser continuados por um eventual governo de Passos Coelho e poderiam até ser de alguma forma revertidos por um outro governo, no respeito pela vontade maioritária dos representantes do povo na Assembleia da República.

Entretanto, sentindo perigar os seus lugares e posições no aparelho político e institucional devido à perda da maioria absoluta, esta onda gerou da parte da direita portuguesa alapada ao poder, tanto no governo como na presidência, nas instituições e na maioria da comunicação social, uma outra onda, esta de natureza agressivamente antidemocrática, visando, pela agitação de antigos fantasmas do anticomunismo e do catastrofismo político, semear o pânico face à possibilidade de qualquer mudança de políticos e políticas que fosse além do consentido pelos interesses ligados à coligação PSD/CDS.

Em simultâneo, não fosse o diabo tecê-las, resolveram juntar aos milhares de nomeações para cargos públicos efetuadas nos últimos 4 anos (as tais gorduras que eram para cortar) mais umas dezenas delas, de altos cargos do Estado, para alguns dos boys que correm o risco de deixarem de ser adjuntos e chefes de gabinete dos ministros do governo cessante.

Da maioria absoluta perdida nas urnas reforçaram a "maioria absoluta" instalada...na comunicação social, intoxicando a opinião pública com a presença e o discurso das principais figuras da coligação; com os submarinos infiltrados nas organizações dos trabalhadores (como Carlos Silva ou João Proença da UGT); aliciando a hierarquia superior da Igreja; colocando todo um exército de outros opinadores de serviço a regurgitar cenários contrários a um governo de esquerda, alguns dos quais se viram obrigados a quebrar o verniz da sua falsa independência (Ferreira Leite ou Marques Mendes, entre outros), e finalmente promovendo de forma descarada alguns dos que, mascarados de socialistas (incluindo dirigentes e ex-ministros), defenderam uma aliança com a coligação de direita, contra a vontade, estou certo, da esmagadora maioria dos eleitores do PS e contra aquilo que este partido defendeu na campanha.

Só não ficou percetível neste cenário clarificador a posição de Vasco Cordeiro aparentemente inclinada para a viabilização pelo PS de um governo da PàF. Mas, neste caso, talvez seja para ficar (para já) por isso mesmo: uma dúbia posição.

 

Artigo de opinião de Mário Abrantes, publicado em 24 de outubro de 2015

Mário AbrantesCom desenlace à vista, a agitação em torno da procura de solução governativa para o país gerou duas ondas politicamente opostas.

Por um lado, por via da reabertura do diálogo politico/institucional à esquerda do PSD, assistiu-se ao despertar da adormecida riqueza da democracia e de todo um horizonte de possibilidades constitucionais cujas portas nos últimos anos têm vindo a ser sistematicamente trancadas pelos poderes instalados para dar passagem exclusiva ao “não há alternativa ao austeritarismo”, aos partidos do “arco da governabilidade” ou à alternância no poder entre os agentes do “bloco central de interesses” para a execução de políticas de submissão a uma subliminar ditadura do capital financeiro.

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